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31/05/2019 às 08:52:47
Mais de 60% dos mortos por policiais são jovens entre 15 e 29 anos

No Ceará, 62,1% das pessoas cujos homicídios foram perpetrados por agentes de segurança, entre 2013 e 2018, estão nesta faixa etária. Para especialistas, faltam políticas públicas de proteção à juventude
créditos: Diario do Nordeste

Pela quarta vez, desde a madrugada de 12 de novembro de 2015, a cuidadora de idosos Edna Carla não escutou o filho Alef Souza pedir por comida no Dia das Mães. Até aquele ano, era comum o jovem de 17 anos querer bolo de brigadeiro, biscoito de goma e creme de galinha em momentos de festividades. Cada data comemorativa na casa da família Cavalcante, no Conjunto São Cristóvão, na Grande Messejana, era como um banquete - um aniversário até -, daqueles que as crianças lambem os dedos após ter experimentado a refeição predileta.

Isso ocorria todos os anos até aquela noite, quando Alef foi brutalmente assassinado por um bando de policiais militares encapuzados. O adolescente e outras dez pessoas foram executados sumariamente nas ruas dos bairros Curió e São Miguel, na Grande Messejana, no episódio que ficou conhecido como "Chacina da Messejana" ou "Chacina do Curió", na qual 44 policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) por terem organizado a matança. Dos 11 mortos, oito eram jovens com idades entre 16 e 19 anos. Perfil comum de quem é "matável" por aqui.

"Eu costumo dizer que eu não pari filho pra Polícia matar. Por isso, a minha luta constante é a exoneração dos cargos, a condenação dos culpados, sim. Porque, se a própria Polícia diz que bandido tem que ser condenado, então quem mata, que é de dentro da Polícia, que é bandido, também tem direito da condenação", clama Edna Carla, ao apertar uma bandeira do Coletivo Mães do Curió, como se pudesse, assim, fazer justiça.

 

Três meses antes de ser assassinado, Alef disse à mãe que sua intenção era servir o Exército, mas foi impedido no meio do caminho. "E ali, eu não só perdi o filho, perdi o sonho que eu tinha, perdi a confiança na Corporação. Porque, por mais que eu diga que existem policiais honestos, a gente sabe que a maioria deles, na favela, não são Polícia, são matadores do Estado".



COLUNISTA
Jardel Viana
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